sexta-feira, 11 de maio de 2012

Rogério, flores para presentear.

Rogério, flores para presentear.
5º Capítulo
A luz do sol estupidamente forte invadiu meu quarto logo ao amanhecer. Depois disso não consegui mais dormir por causa da ressaca e minha preocupação com Lilian.
Maria me fez companhia à manhã toda, e junto, preparamos um café da manhã e arrumamos o apartamento com a intenção de logo devolvermos para a imobiliária. Tristemente arrumamos as malas, e quase no horário do almoço, Lilian Rafaelly saiu do quarto, arrumada, colocando sua mala na sala.
                - Quando iremos para a rodoviária? – Ela perguntou com a voz fraca, movimentando-se lentamente.
                - De tarde. Gostaria de antes tomar um banho, ir naquele restaurante e enfim conhecer e me despedir do vizinho da frente. – Disse me espreguiçando, e sendo abraçado por Maria que estava visivelmente cansada.
                - Tudo bem. – Ela falou e deitou no sofá.
                - Lilian, você sabe, precisamos conversar. – Eu disse me sentado ao lado dela.
                - Olha, eu vou à mercearia comprar as coisas do almoço e já volto. – Maria disse retirando-se propositalmente, sabia que eu queria conversar com minha irmã a sós.
                - Por favor, não conte para nossos pais. – Ela disse sentando-se de frente para mim, com os olhos suplicantes e já marejados.
- Por que não Lilian? Você acha que eu voltarei para São Paulo logo no início da viagem, por nenhum motivo lógico. E ainda mais, você é menor de idade e um ocorrido desses não pode passar e branco. – Eu falei tentando não me irritar.
- Tenho que te contar uma coisa. – Ela falou soltando minha mão e olhando para o branco da parede ao seu lado. Delicadamente puxei seu rosto para o meu.
- O quê?
- Eu já conhecia o Mauricio. – Ela falou com a voz tremendo e meu sangue ferveu. Fiz um sinal para que ela continuasse.
- Por um site de relacionamento, começamos a conversar e... Ele disse me amar e estar estupidamente apaixonado por mim. Me chamou para viajar. Fui eu que... Coloquei o folheto de Paraíso Ardente em seu quarto. Eu armei essa viagem para conhecer Mauricio e eu não quero que você conte para nossos pais porque eu sei que estou errada. Mas não queria estar. – Ela sussurrou a última frase e começou a chorar como uma criancinha assustada. Era o que ela era. A abracei forte, com medo de deixa - lá cair.
- Tudo bem Lilian, calma. Já acabou. – Eu disse para ela e quando ela já estava mais calma, peguei um copo de água com açúcar para que se acalmasse. Em seguida, Maria entrou silenciosamente no apartamento e foi em direção a cozinha, e depois do nosso almoço, a campainha tocou.
Maria e Lilian estavam se arrumando e arrumando os poucos pertences para a viagem de volta para São Paulo, e eu fui atender a porta, descobrindo um homem vestido elegantemente e portado de flores e chocolate.
- Boa tarde. – Ela falou espontaneamente.
- Boa tarde. Quem é você? – Perguntei desconfiado, com medo de ser um garoto a fazer mal a Lilian ou até mesmo Maria.
- Sou Rogério. O vizinho da frente. – Ele disse se enrolando para me estender a mão. Aceitei educadamente.
- Entre, por favor, Rogério. – Convidei o salvador de minha irmã.
- Desculpe-me essa invasão, mas desde ontem estou preocupado com a garota loira que quase... Você já deve saber. – Ele se encabulou.
- Sim, a garota loira é minha irmã. Lilian Rafaelly. – Disse sorrindo, enquanto o acompanhava até o sofá. – Realmente gostaria de lhe agradecer. Se não fosse por você...
- Não fale isso. Nem mencione que eu fico mal. Quero dizer que sabia que eram boas pessoas, por isso os ajudei. Vim para cá logo depois de você. Vi a entrada de vocês, e o horário que saíram. E, quando eu estava esperando meu irmão, vi Lilian chegar e... Você já deve saber. – Sorri por ele repetir novamente a frase.
- É eu já sei. Bom, essas flores e chocolates não são para mim, então me deixe chamar Lilian. – Disse me levantando e batendo na porta do quarto das meninas, escutando um entre de minha namorada.
- Lilian, você tem visita. – Disse para a garota que estava sentada em cima da cama. Ela não parecia em nada com minha irmã arrogante e fútil, mas que sempre estava linda, bem arrumada e alegre. Aquela garota parecia um fantasma de tão pálida e morta.
- E quem é? – Ela se mostrou interessada, mas ainda como uma mosca morta.
- Uma pessoa. – Eu respondi e ela riu fraco, mas se levantou e olhou-se no espelho, passando um brilho nos lábios.
Eu sai na sua frente, mas logo que ela viu Rogério eu entrei no quarto e fiquei escutando por trás da porta, até Maria me dar um tapa forte demais para uma garota.
- O que é amor? – Sussurrei ainda gemendo pelo tapa.
- Isso é ridículo. Saia e acompanhe a visita de seu irmão decentemente. Sabe – se lá quem é o estranho que quer falar com ela. Ai ai, garotos... – Maria sussurrou antes de sair com um sorriso estampado no rosto, e eu, a acompanhei.
Rogério era um cara muito legal. Seu pai era o dono da imobiliária, e ele e seu irmão Lucas sempre viam passar um feriado ou as férias aqui. Sentia-se triste pela cidade ser tão linda e tão desconhecida. Seu irmão e eles haviam brigado, e Lucas havia saído de casa e por isso, Rogério ficou plantado na porta, esperando por ele, e viu o que aconteceu.
Ele também explicou que logo depois de perseguir os caras, quase foi atropelado por um carro, e por isso, não conseguiu pega-los para denunciá-los.
Lilian não conseguia tirar os olhos de Rogério. Parecia que aquele corpo moreno e o cabelo desgrenhado haviam conquistado minha irmã, juntamente com a simpatia que ele emanava pelos olhos.
- E então, vocês estão querendo sair hoje à noite? – Rogério perguntou já nosso amigo.
- Nem vai dar cara, daqui a pouco voltamos para São Paulo. – Eu respondi enquanto Lilian olhava desesperada para mim e me puxava com ela em direção a cozinha.
- Rogério, por favor, vem comigo pegar um refresco para o Rogério. – Ela falou toda corada e já com uma aparência melhor.
- Felipe, por favor, vamos ficar. – Lilian sussurrou para mim enquanto pegava o suco na geladeira e o colocava nos copos.
- Lilian, você tem certeza? Temos que ir para São Paulo, denunciar o caso da tentativa de estupro e lá estaremos bem mais seguros. – Eu disse me apoiando na bancada da cozinha.
- Sim, podemos fazer isso aqui Felipe. Mas quero ficar aqui com você e a Maria.
- E o Rogério. – Eu completei e ela sorriu.

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