sábado, 9 de junho de 2012

Lágrimas de Outono


A falsidade que gira em torno de mim é tanta que se pode apalpa-lá. Eu só rio com todo esse mundo artificial que está a minha volta, pois as pessoas mal sabem fingir que me admiram. E por que admirar? A garota autêntica e malcriada, que se passa por escritora, ama rock e é apaixonada por leitura. A garota que se impõem as regras, e que não aceita nem suporta a tal da injustiça; que não obedece ao que ela acha errado. Um mundo alternativo e totalmente incomodo para os fantoches que me cercam.
Hoje em dia a minha maior vontade é a de me mostrar, me provar. Não para jogar na cara, mas para deixar visível que eles que perderam. Minha maturidade não deixa que eu entre na depressão, ou me esconda na sombra do fundo do poço.
Sinto falta de amor, de carinho. Sinto-me jogada como uma carne velha para cachorros de rua. Parece que carrego milhões de pedras nas costas. A vontade de chorar não passa. A injustiça parece estar no ar, pois nunca me larga.
A exclusão dentro da minha própria casa me faz pensar que eu sou um fardo para todos que moram comigo. Amanhece o dia e somente reclamações vem para cima de mim, nada de uma palavra agradável. Eu nunca ouvi um “eu te amo” de um familiar. Nunca me abraçaram espontaneamente. Essa dor profunda que me atinge agora foi o único sentimento familiar que se agarrou a mim.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Talvez, certezas e estrelas.

As estrelas são corpos celestes pacificadores. Talvez seja por isso que São Paulo seja um caos; porque não há estrelas. Talvez seja por isso que minha vida é um caos.
A ironia do destino nos prende e nos prega peças constantemente. Caçoando e rindo de nós. Até parece que todas as pessoas você conhece, admira e ama andam com máscaras para você. Talvez só para você. Uma conspiração montada e planejada em mentes maliciosas. Cada vez que reflito só tenho vontade de me mostrar e me provar. Dizer que eu gostaria de um mundo com estrelas, poder gritar e espernear para me ver livre do nó em minha garganta que me prende. Talvez esteja errada, mas são muitos talvez para poucas certezas. Certeza? De que amo, de que existo. Talvez viva pacientemente por mais algum tempo antes de explodir como muitas pessoas ainda farão, como muitas pessoas fizeram pela falta de estrelas.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Não me importo com o ódio, só prefiro que as pessoas não demonstrem. Me dou bem com a falsidade, apesar de odiar praticá-la. Sinto pena das pessoas, e isso é algo que nunca gostaria que sentissem por mim. Sinto falta de pessoas, e isso é o tipo de coisa que não desejo para ninguém. Amo muito poucas pessoas. Sofro muito por poucas pessoas. Dói em mim como se fosse a dor de muitas pessoas. Sou fraca, mas sempre resistirei. Poucos sabem, confesso que não dou liberdade ao caos do meu coração. Tenho vontade de chorar 24 horas por dia. Sorrio 24 horas por dia. Tento, confesso, mas nunca consigo me sentir bem.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Sem por, sem tirar, sem amor.

Difícil é perder algo que nunca se teve. É incompensável e vazio. Pungente, dilacerante e até mesmo melancólico. Sem por, sem tirar, sem amor. Angústia. Diamantes, brilhantes e pérolas não me fazem falta, e, mesmo se fizessem, não morreria por isso. Morro por outras coisas. Se eu os tivesse, me roubariam. De coisas roubadas faço a list. mor, dor. Não vivo, existo. Não ando, vago. Sem por, sem tirar, sem amor.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Rogério, flores para presentear.

Rogério, flores para presentear.
5º Capítulo
A luz do sol estupidamente forte invadiu meu quarto logo ao amanhecer. Depois disso não consegui mais dormir por causa da ressaca e minha preocupação com Lilian.
Maria me fez companhia à manhã toda, e junto, preparamos um café da manhã e arrumamos o apartamento com a intenção de logo devolvermos para a imobiliária. Tristemente arrumamos as malas, e quase no horário do almoço, Lilian Rafaelly saiu do quarto, arrumada, colocando sua mala na sala.
                - Quando iremos para a rodoviária? – Ela perguntou com a voz fraca, movimentando-se lentamente.
                - De tarde. Gostaria de antes tomar um banho, ir naquele restaurante e enfim conhecer e me despedir do vizinho da frente. – Disse me espreguiçando, e sendo abraçado por Maria que estava visivelmente cansada.
                - Tudo bem. – Ela falou e deitou no sofá.
                - Lilian, você sabe, precisamos conversar. – Eu disse me sentado ao lado dela.
                - Olha, eu vou à mercearia comprar as coisas do almoço e já volto. – Maria disse retirando-se propositalmente, sabia que eu queria conversar com minha irmã a sós.
                - Por favor, não conte para nossos pais. – Ela disse sentando-se de frente para mim, com os olhos suplicantes e já marejados.
- Por que não Lilian? Você acha que eu voltarei para São Paulo logo no início da viagem, por nenhum motivo lógico. E ainda mais, você é menor de idade e um ocorrido desses não pode passar e branco. – Eu falei tentando não me irritar.
- Tenho que te contar uma coisa. – Ela falou soltando minha mão e olhando para o branco da parede ao seu lado. Delicadamente puxei seu rosto para o meu.
- O quê?
- Eu já conhecia o Mauricio. – Ela falou com a voz tremendo e meu sangue ferveu. Fiz um sinal para que ela continuasse.
- Por um site de relacionamento, começamos a conversar e... Ele disse me amar e estar estupidamente apaixonado por mim. Me chamou para viajar. Fui eu que... Coloquei o folheto de Paraíso Ardente em seu quarto. Eu armei essa viagem para conhecer Mauricio e eu não quero que você conte para nossos pais porque eu sei que estou errada. Mas não queria estar. – Ela sussurrou a última frase e começou a chorar como uma criancinha assustada. Era o que ela era. A abracei forte, com medo de deixa - lá cair.
- Tudo bem Lilian, calma. Já acabou. – Eu disse para ela e quando ela já estava mais calma, peguei um copo de água com açúcar para que se acalmasse. Em seguida, Maria entrou silenciosamente no apartamento e foi em direção a cozinha, e depois do nosso almoço, a campainha tocou.
Maria e Lilian estavam se arrumando e arrumando os poucos pertences para a viagem de volta para São Paulo, e eu fui atender a porta, descobrindo um homem vestido elegantemente e portado de flores e chocolate.
- Boa tarde. – Ela falou espontaneamente.
- Boa tarde. Quem é você? – Perguntei desconfiado, com medo de ser um garoto a fazer mal a Lilian ou até mesmo Maria.
- Sou Rogério. O vizinho da frente. – Ele disse se enrolando para me estender a mão. Aceitei educadamente.
- Entre, por favor, Rogério. – Convidei o salvador de minha irmã.
- Desculpe-me essa invasão, mas desde ontem estou preocupado com a garota loira que quase... Você já deve saber. – Ele se encabulou.
- Sim, a garota loira é minha irmã. Lilian Rafaelly. – Disse sorrindo, enquanto o acompanhava até o sofá. – Realmente gostaria de lhe agradecer. Se não fosse por você...
- Não fale isso. Nem mencione que eu fico mal. Quero dizer que sabia que eram boas pessoas, por isso os ajudei. Vim para cá logo depois de você. Vi a entrada de vocês, e o horário que saíram. E, quando eu estava esperando meu irmão, vi Lilian chegar e... Você já deve saber. – Sorri por ele repetir novamente a frase.
- É eu já sei. Bom, essas flores e chocolates não são para mim, então me deixe chamar Lilian. – Disse me levantando e batendo na porta do quarto das meninas, escutando um entre de minha namorada.
- Lilian, você tem visita. – Disse para a garota que estava sentada em cima da cama. Ela não parecia em nada com minha irmã arrogante e fútil, mas que sempre estava linda, bem arrumada e alegre. Aquela garota parecia um fantasma de tão pálida e morta.
- E quem é? – Ela se mostrou interessada, mas ainda como uma mosca morta.
- Uma pessoa. – Eu respondi e ela riu fraco, mas se levantou e olhou-se no espelho, passando um brilho nos lábios.
Eu sai na sua frente, mas logo que ela viu Rogério eu entrei no quarto e fiquei escutando por trás da porta, até Maria me dar um tapa forte demais para uma garota.
- O que é amor? – Sussurrei ainda gemendo pelo tapa.
- Isso é ridículo. Saia e acompanhe a visita de seu irmão decentemente. Sabe – se lá quem é o estranho que quer falar com ela. Ai ai, garotos... – Maria sussurrou antes de sair com um sorriso estampado no rosto, e eu, a acompanhei.
Rogério era um cara muito legal. Seu pai era o dono da imobiliária, e ele e seu irmão Lucas sempre viam passar um feriado ou as férias aqui. Sentia-se triste pela cidade ser tão linda e tão desconhecida. Seu irmão e eles haviam brigado, e Lucas havia saído de casa e por isso, Rogério ficou plantado na porta, esperando por ele, e viu o que aconteceu.
Ele também explicou que logo depois de perseguir os caras, quase foi atropelado por um carro, e por isso, não conseguiu pega-los para denunciá-los.
Lilian não conseguia tirar os olhos de Rogério. Parecia que aquele corpo moreno e o cabelo desgrenhado haviam conquistado minha irmã, juntamente com a simpatia que ele emanava pelos olhos.
- E então, vocês estão querendo sair hoje à noite? – Rogério perguntou já nosso amigo.
- Nem vai dar cara, daqui a pouco voltamos para São Paulo. – Eu respondi enquanto Lilian olhava desesperada para mim e me puxava com ela em direção a cozinha.
- Rogério, por favor, vem comigo pegar um refresco para o Rogério. – Ela falou toda corada e já com uma aparência melhor.
- Felipe, por favor, vamos ficar. – Lilian sussurrou para mim enquanto pegava o suco na geladeira e o colocava nos copos.
- Lilian, você tem certeza? Temos que ir para São Paulo, denunciar o caso da tentativa de estupro e lá estaremos bem mais seguros. – Eu disse me apoiando na bancada da cozinha.
- Sim, podemos fazer isso aqui Felipe. Mas quero ficar aqui com você e a Maria.
- E o Rogério. – Eu completei e ela sorriu.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Lilian, Maria, Felipe e o Paraíso Ardente.


2 horas mais tarde.
4º Capítulo
Voltamos ao quiosque onde havíamos deixado Lilian. Já estava amanhecendo, e cerca de um grupo de 15 adolescentes habitava o lugar, dançando sertanejo. Nada de Lilian.
- Ah, Droga! – Falei ao procurarmos ela por mais alguns quiosques que já estavam fechando. – Maria, por favor, liga pro celular dela.
E Maria ligou. Ela atendeu e disse que estava no apartamento. Suspirei de alivio e fomos até lá. Chegando, abrimos a porta e demos de cara com uma Lilian descabelada e machucada. Corri até ela que estava chorando.
- O que aconteceu Lilian? – Perguntei apreensivo enquanto Maria corria para a cozinha e trazia água quente, algodão e uma toalha.
- Foi de repente. – Ela disse chorando e eu me segurei para não chorar também. – Logo depois que vocês me ligaram, eu estava assistindo televisão e invadiram o apartamento. Tentaram me... – Ela chorou mais e suspirou. – Tentaram me estuprar, mas o vizinho da nossa frente não deixou.
- Calma Lilian, calma. Já está tudo bem agora.  –Maria disse dando um copo de água para ela e colocando um remédio e o algodão sobre seus machucados. – Quem foi? – Maria perguntou depois de alguns minutos em silêncio.
- Mauricio e Rafael. – Ela disse convicta. Eu não sabia quem era Rafael, mas deduzi ser o cara que paquerava minha Maria.
- E onde está o vizinho da frente? – Eu perguntei um tanto irritado.
- Ele foi atrás dos idiotas. Ele disse que estava sozinho e que teria que ir atrás dos caras. – Ela me falou, olhando para baixo.
- Acalme-se Lilian. Felipe, leva ela pro quarto dela. Vou preparar algo na cozinha. – Maria disse saindo para a cozinha e eu suspirei.
Peguei minha irmã no colo e a coloquei na cama de seu quarto. Ela estava chorando e eu a embrulhei.
                - Sabe, terei que contar para nossos pais. – Disse simples.
                - Por favor, não. – Ela não implorou. Devia estar fraca demais até para isso.
                - Amanhã conversamos. Daqui a pouco peço para Maria vir te ajudar a tomar banho e... Se trocar. Boa noite. – Eu disse saindo do quarto e deixando- a sozinha.
Maria estava na cozinha preparando uns sanduíches e chás. Combinação esquisita. Sentei-me a mesa e apoiei minha cabeça em minhas mãos, logo sendo abraçado por Maria.
- Acho melhor irmos embora amanhã. – Ela disse triste.
- Eu também amor. – Disse. Comemos silenciosamente e depois Maria foi ajudar Lilian. Não sei que horas fui dormir, mas acordei com uma incrível dor de cabeça e com a sensação de que Paraíso Ardente era mais Paraíso do que qualquer outra coisa.

Lilian, Maria, Felipe e o Paraíso Ardente


6 horas mais tarde.
3ºCapítulo
- Vamos Lilian, nós estamos atrasados! – Eu reclamei mais uma vez para escutar um “Já vou!” irritado da minha irmã. Provavelmente ser mais nova do que eu torne-a mais irritante, mas nem mesmo Maria estava mais aguentando.
- Estava gostando da viagem. – Ela comentou um pouco mais cedo, quando pedimos uma pizza e Lilian ficou falando do quão calórico era e demorou meia hora para resolver pedir um frango grelhado com salada.
Maria que já estava pronta com a mão na maçaneta e segurando o molho de chaves correu para fora ao ver minha irmã sair lentamente do seu quarto.
- Até que enfim Lilian! – Eu disse e peguei em seu pulso. – Ou você começa a se comportar nessa viagem que é meu sonho e da Maria, ou você vai sair de Paraíso Ardente no primeiro ônibus para São Paulo. E eu não estou brincando.
Saímos um tanto desanimados, mas tudo mudou ao chegarmos a um pequeno e singelo restaurante acolhedor, com uma comida deliciosa.
Depois fomos em direção a praia e meu Deus, que praia incrível. Sua areia era incrivelmente branca, a água incrivelmente limpa e havia um cheiro de natureza que era desconhecido das outras praias. Era tudo maravilhoso.
- Muito obrigada por ter me trazido aqui Felipe. Meu amor. – Maria disse sorrindo e Lilian estava se afastando lentamente de nós.
- Aonde você vai Lilian? –Eu perguntei já de saco cheio de toda aquela imaturidade.
- Para outro lugar. – Ela respondeu simples.
- Que pena. Você não vai. – Eu disse no mesmo de tom de voz dela e ela, estranhamente sem discutir, se dirigiu para um quiosque e sentou – se comportada.
- Lilian, não vou deixar você segurar vela, mas não vou te largar aqui. Vou pedir umas bebidas, vamos dançar um pouco, ai você procura uma turma. Eu te amo irmã. Não faço por mal. Essa viagem é para que nos aproximemos acima de tudo. Só colabore ok. Já volto. – Disse indo em direção ao balcão do quiosque, pedindo cerveja, energético e vodka.
Ao voltar vi Lilian corada e bem animada. Havia dois meninos paquerando minhas princesas, e eu logo corri para Maria, beijando-a no pescoço. Logo ela se arrepiou.
- Amor, o que você acha de darmos uma volta na praia? – Sussurrei em seu ouvido e ela prontamente se levantou sorrindo. O sorriso mais lindo do mundo. – Lilian vai ficar bem. – Sibilei.
E nós deixamos uma cerveja e um energético para ela e acenamos. Ela, muito mais feliz acenou também.
E nós demos a volta na praia que era linda. Conversávamos trivialidades sobre a cidade, inventamos acidentes com o carrossel do parque de diversões e enfim, chegamos ao assunto Lilian.
- Espero que depois de ficar com o Mauricio ela melhore seu comportamento. – Maria suspirou sentando na calçada.
- Quem? – Disse totalmente aéreo ao assunto da conversa.
- Lilian. Mauricio é o nome do garoto que estava flertando com ela. –Maria falou simples. – O que está acontecendo com ela Felipe? De repente na escola ela se afastou de mim. Lancha sozinha no intervalo. – Maria disse recordando-se dos momentos, como se realmente não estivesse na minha frente.
- Eu não sei. E tudo o que você disse acontece em casa também. – Me sentei ao lado dela. – Não conversa mais com ninguém, come sozinha. Vive trancada em seu quarto. – Suspirei pesado. – Anda totalmente estranha e de alguns dias para cá vive grudada ao telefone de casa, esperando um telefonema sabe-se lá de quem.
Maria me abraçou. Estava arrepiada. Tirei meu casaco e coloquei sobre ela, e ela sorriu para mim. Cara, como eu era louco por ela. Por esse sorriso, esse corpo. Eu a amava demais.

Lilian, Maria, Felipe e o Paraíso Ardente.


Lilian, Maria, Felipe e o Paraíso Ardente.
2º Capítulo
Paraíso Ardente. Cidade pequena e desconhecida do litoral do Espírito Santo. Tinha um clima de cidade do interior. As pessoas eram simpáticas, a cidade não era poluída e havia um clima de paz pairado sobre ela. E por isso e por essa cidade ter praias lindas, eu, minha irmã e minha (gata) namorada a escolhemos para passar as férias.
- Estou cansada Felipe. – Lilian, minha irmã reclamou. Estava sendo assim desde que saímos de casa, São Paulo. Maria, minha linda namorada suspirou. Até ela que era super amiga de Lilian já estava cansada de todo aquele auê.
- Calma Lilian, o apartamento é logo ali. Já estamos chegando e ai enfim você poderá descansar.
- E parar de reclamar. – Maria completou silenciosamente e eu ri fraco. Maria era linda e preciosa. Com seu corpo escultural, era uma morena de olhos verdes. Seus cabelos lisos como de uma índia caiam delicadamente por suas costas. Ela era alta, tinha um sorriso que podia acabar com qualquer um. Mas, além de toda sua beleza, eu prezava nela sua confia, sua sabedoria e seu amor por tudo, principalmente por mim.
Quando finalmente chegamos à frente do pequeno prédio que havíamos alugado para uma semana de paz e felicidade, nos surpreendemos porque ele era realmente pequeno. Ele devia ter dois andares, com quatro apartamentos em cada bloco.
- Parabéns Felipe! – Lilian se dirigiu para mim. – Você realmente escolheu um ótimo apartamento para nós. Como você disse mesmo? Última linha de cidade pequena. Isso não é nem a linha. – Ela disse e seus cabelos loiros como os meus caíram sobre seu rosto. Minha irmã era linda também. Magra, alta. Podia ser modelo, mas toda essa beleza que tinha equivalia a toda sua arrogância.
- Lilian, você sabia desde o começo que não seria grande coisa. E bem, eu adorei o prédio. Realmente se encaixa perfeitamente com a idéia de cidade antiga do interior.
- É Lilian, relaxa. E a gente quase não vai ficar dentro do apartamento. – Maria disse já apertando o botão do interfone, tendo a entrada autorizada.
Não havia elevador, mas como eu disse, eram somente dois andares e quatro apartamentos por andar. Nosso apartamento era grande, com duas suítes, cozinha, sala e uma sacada de vista pro mar.
- É um apartamento lindo Felipe! Eu amei. – Maria disse vindo até mim e me beijando. Lilian fez som de nojo e bateu a porta de um quarto. Sorri. Como eu amava estar com a Maria.
- E então guia - turístico? O que faremos essa noite? – Maria disse segurando minha cintura.
- Acho que nós podemos ir a um restaurante e depois irmos para a praia. Com certeza vai ter algo lá.
- Então tá ótimo... – Disse ela antes de voltar a me beijar, me empurrando para o quarto.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Paraíso Ardente



Paraíso Ardente
1º Capítulo
Eu suava frio ao ver a letra caprichada no papel de pão, que me dava uma notícia horrível. Maria continuava estancada no pé da porta, cheia de areia da praia e os braços cobertos de sangue.
- Não quero saber o que diz ai Felipe. Eu não quero. – Maria disse ainda imóvel, com a voz chorosa. – Mas me diz. – Ela falou convicta.
Felipe e Maria,
Desculpem-me pelo modo irracional como agi nos últimos dias, e desculpem -me pelo que fiz, mas realmente tive que fazer isso. Sei o quão ruim e decepcionante fui para todos que me amam - se é que me amam -, mas espero que saibam que eu amo vocês. Obrigada por tentarem me ajudar. Não se preocupem: Ficarei bem.
Com amor,
Lilian Rafaelly.
As lágrimas não puderam mais ser seguradas nem nos meus olhos, nem nos de Maria. Ela andou de modo lento até mim e me abraçou forte demais para uma garota.
- O que é que está acontecendo Felipe? – Sua voz era abafada por meu ombro.
- Eu não sei Maria. Eu não sei.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Será que é permitido que eu pergunte o que Deus quer de mim? Porque só eu sei como dói. Em toda a minha vida, eu tive três pais. Um deles, o biológico, se mandou. O que era meu padrasto, me amou incondicionalmente e Deus o levou. O meu tio que se tornou meu pai viajou. O que Deus quer de mim?