2
horas mais tarde.
4º Capítulo
Voltamos ao quiosque onde
havíamos deixado Lilian. Já estava amanhecendo, e cerca de um grupo de 15
adolescentes habitava o lugar, dançando sertanejo. Nada de Lilian.
- Ah, Droga! – Falei ao
procurarmos ela por mais alguns quiosques que já estavam fechando. – Maria, por
favor, liga pro celular dela.
E Maria ligou. Ela atendeu
e disse que estava no apartamento. Suspirei de alivio e fomos até lá. Chegando,
abrimos a porta e demos de cara com uma Lilian descabelada e machucada. Corri
até ela que estava chorando.
- O que aconteceu Lilian? –
Perguntei apreensivo enquanto Maria corria para a cozinha e trazia água quente,
algodão e uma toalha.
- Foi de repente. – Ela
disse chorando e eu me segurei para não chorar também. – Logo depois que vocês
me ligaram, eu estava assistindo televisão e invadiram o apartamento. Tentaram
me... – Ela chorou mais e suspirou. – Tentaram me estuprar, mas o vizinho da
nossa frente não deixou.
- Calma Lilian, calma. Já
está tudo bem agora. –Maria disse dando
um copo de água para ela e colocando um remédio e o algodão sobre seus
machucados. – Quem foi? – Maria perguntou depois de alguns minutos em silêncio.
- Mauricio e Rafael. – Ela
disse convicta. Eu não sabia quem era Rafael, mas deduzi ser o cara que
paquerava minha Maria.
- E onde está o vizinho da
frente? – Eu perguntei um tanto irritado.
- Ele foi atrás dos
idiotas. Ele disse que estava sozinho e que teria que ir atrás dos caras. – Ela
me falou, olhando para baixo.
- Acalme-se Lilian. Felipe,
leva ela pro quarto dela. Vou preparar algo na cozinha. – Maria disse saindo
para a cozinha e eu suspirei.
Peguei minha irmã no colo e a coloquei na cama de seu
quarto. Ela estava chorando e eu a embrulhei.
- Sabe,
terei que contar para nossos pais. – Disse simples.
-
Por favor, não. – Ela não implorou. Devia estar fraca demais até para isso.
-
Amanhã conversamos. Daqui a pouco peço para Maria vir te ajudar a tomar banho
e... Se trocar. Boa noite. – Eu disse saindo do quarto e deixando- a sozinha.
Maria estava na cozinha
preparando uns sanduíches e chás. Combinação esquisita. Sentei-me a mesa e
apoiei minha cabeça em minhas mãos, logo sendo abraçado por Maria.
- Acho melhor irmos embora
amanhã. – Ela disse triste.
- Eu também amor. – Disse.
Comemos silenciosamente e depois Maria foi ajudar Lilian. Não sei que horas fui
dormir, mas acordei com uma incrível dor de cabeça e com a sensação de que
Paraíso Ardente era mais Paraíso do que qualquer outra coisa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário