quinta-feira, 10 de maio de 2012

Lilian, Maria, Felipe e o Paraíso Ardente.


2 horas mais tarde.
4º Capítulo
Voltamos ao quiosque onde havíamos deixado Lilian. Já estava amanhecendo, e cerca de um grupo de 15 adolescentes habitava o lugar, dançando sertanejo. Nada de Lilian.
- Ah, Droga! – Falei ao procurarmos ela por mais alguns quiosques que já estavam fechando. – Maria, por favor, liga pro celular dela.
E Maria ligou. Ela atendeu e disse que estava no apartamento. Suspirei de alivio e fomos até lá. Chegando, abrimos a porta e demos de cara com uma Lilian descabelada e machucada. Corri até ela que estava chorando.
- O que aconteceu Lilian? – Perguntei apreensivo enquanto Maria corria para a cozinha e trazia água quente, algodão e uma toalha.
- Foi de repente. – Ela disse chorando e eu me segurei para não chorar também. – Logo depois que vocês me ligaram, eu estava assistindo televisão e invadiram o apartamento. Tentaram me... – Ela chorou mais e suspirou. – Tentaram me estuprar, mas o vizinho da nossa frente não deixou.
- Calma Lilian, calma. Já está tudo bem agora.  –Maria disse dando um copo de água para ela e colocando um remédio e o algodão sobre seus machucados. – Quem foi? – Maria perguntou depois de alguns minutos em silêncio.
- Mauricio e Rafael. – Ela disse convicta. Eu não sabia quem era Rafael, mas deduzi ser o cara que paquerava minha Maria.
- E onde está o vizinho da frente? – Eu perguntei um tanto irritado.
- Ele foi atrás dos idiotas. Ele disse que estava sozinho e que teria que ir atrás dos caras. – Ela me falou, olhando para baixo.
- Acalme-se Lilian. Felipe, leva ela pro quarto dela. Vou preparar algo na cozinha. – Maria disse saindo para a cozinha e eu suspirei.
Peguei minha irmã no colo e a coloquei na cama de seu quarto. Ela estava chorando e eu a embrulhei.
                - Sabe, terei que contar para nossos pais. – Disse simples.
                - Por favor, não. – Ela não implorou. Devia estar fraca demais até para isso.
                - Amanhã conversamos. Daqui a pouco peço para Maria vir te ajudar a tomar banho e... Se trocar. Boa noite. – Eu disse saindo do quarto e deixando- a sozinha.
Maria estava na cozinha preparando uns sanduíches e chás. Combinação esquisita. Sentei-me a mesa e apoiei minha cabeça em minhas mãos, logo sendo abraçado por Maria.
- Acho melhor irmos embora amanhã. – Ela disse triste.
- Eu também amor. – Disse. Comemos silenciosamente e depois Maria foi ajudar Lilian. Não sei que horas fui dormir, mas acordei com uma incrível dor de cabeça e com a sensação de que Paraíso Ardente era mais Paraíso do que qualquer outra coisa.

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