A falsidade que gira em torno de mim é tanta que se pode
apalpa-lá. Eu só rio com todo esse mundo artificial que está a minha volta,
pois as pessoas mal sabem fingir que me admiram. E por que admirar? A garota
autêntica e malcriada, que se passa por escritora, ama rock e é apaixonada por
leitura. A garota que se impõem as regras, e que não aceita nem suporta a tal
da injustiça; que não obedece ao que ela acha errado. Um mundo alternativo e
totalmente incomodo para os fantoches que me cercam.
Hoje em dia a minha maior vontade é a de me mostrar, me
provar. Não para jogar na cara, mas para deixar visível que eles que perderam.
Minha maturidade não deixa que eu entre na depressão, ou me esconda na sombra
do fundo do poço.
Sinto falta de amor, de carinho. Sinto-me jogada como uma
carne velha para cachorros de rua. Parece que carrego milhões de pedras nas
costas. A vontade de chorar não passa. A injustiça parece estar no ar, pois
nunca me larga.
A exclusão dentro da minha própria casa me faz pensar que
eu sou um fardo para todos que moram comigo. Amanhece o dia e somente
reclamações vem para cima de mim, nada de uma palavra agradável. Eu nunca ouvi
um “eu te amo” de um familiar. Nunca me abraçaram espontaneamente. Essa dor profunda
que me atinge agora foi o único sentimento familiar que se agarrou a mim.
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