quinta-feira, 10 de maio de 2012

Lilian, Maria, Felipe e o Paraíso Ardente


6 horas mais tarde.
3ºCapítulo
- Vamos Lilian, nós estamos atrasados! – Eu reclamei mais uma vez para escutar um “Já vou!” irritado da minha irmã. Provavelmente ser mais nova do que eu torne-a mais irritante, mas nem mesmo Maria estava mais aguentando.
- Estava gostando da viagem. – Ela comentou um pouco mais cedo, quando pedimos uma pizza e Lilian ficou falando do quão calórico era e demorou meia hora para resolver pedir um frango grelhado com salada.
Maria que já estava pronta com a mão na maçaneta e segurando o molho de chaves correu para fora ao ver minha irmã sair lentamente do seu quarto.
- Até que enfim Lilian! – Eu disse e peguei em seu pulso. – Ou você começa a se comportar nessa viagem que é meu sonho e da Maria, ou você vai sair de Paraíso Ardente no primeiro ônibus para São Paulo. E eu não estou brincando.
Saímos um tanto desanimados, mas tudo mudou ao chegarmos a um pequeno e singelo restaurante acolhedor, com uma comida deliciosa.
Depois fomos em direção a praia e meu Deus, que praia incrível. Sua areia era incrivelmente branca, a água incrivelmente limpa e havia um cheiro de natureza que era desconhecido das outras praias. Era tudo maravilhoso.
- Muito obrigada por ter me trazido aqui Felipe. Meu amor. – Maria disse sorrindo e Lilian estava se afastando lentamente de nós.
- Aonde você vai Lilian? –Eu perguntei já de saco cheio de toda aquela imaturidade.
- Para outro lugar. – Ela respondeu simples.
- Que pena. Você não vai. – Eu disse no mesmo de tom de voz dela e ela, estranhamente sem discutir, se dirigiu para um quiosque e sentou – se comportada.
- Lilian, não vou deixar você segurar vela, mas não vou te largar aqui. Vou pedir umas bebidas, vamos dançar um pouco, ai você procura uma turma. Eu te amo irmã. Não faço por mal. Essa viagem é para que nos aproximemos acima de tudo. Só colabore ok. Já volto. – Disse indo em direção ao balcão do quiosque, pedindo cerveja, energético e vodka.
Ao voltar vi Lilian corada e bem animada. Havia dois meninos paquerando minhas princesas, e eu logo corri para Maria, beijando-a no pescoço. Logo ela se arrepiou.
- Amor, o que você acha de darmos uma volta na praia? – Sussurrei em seu ouvido e ela prontamente se levantou sorrindo. O sorriso mais lindo do mundo. – Lilian vai ficar bem. – Sibilei.
E nós deixamos uma cerveja e um energético para ela e acenamos. Ela, muito mais feliz acenou também.
E nós demos a volta na praia que era linda. Conversávamos trivialidades sobre a cidade, inventamos acidentes com o carrossel do parque de diversões e enfim, chegamos ao assunto Lilian.
- Espero que depois de ficar com o Mauricio ela melhore seu comportamento. – Maria suspirou sentando na calçada.
- Quem? – Disse totalmente aéreo ao assunto da conversa.
- Lilian. Mauricio é o nome do garoto que estava flertando com ela. –Maria falou simples. – O que está acontecendo com ela Felipe? De repente na escola ela se afastou de mim. Lancha sozinha no intervalo. – Maria disse recordando-se dos momentos, como se realmente não estivesse na minha frente.
- Eu não sei. E tudo o que você disse acontece em casa também. – Me sentei ao lado dela. – Não conversa mais com ninguém, come sozinha. Vive trancada em seu quarto. – Suspirei pesado. – Anda totalmente estranha e de alguns dias para cá vive grudada ao telefone de casa, esperando um telefonema sabe-se lá de quem.
Maria me abraçou. Estava arrepiada. Tirei meu casaco e coloquei sobre ela, e ela sorriu para mim. Cara, como eu era louco por ela. Por esse sorriso, esse corpo. Eu a amava demais.

Lilian, Maria, Felipe e o Paraíso Ardente.


Lilian, Maria, Felipe e o Paraíso Ardente.
2º Capítulo
Paraíso Ardente. Cidade pequena e desconhecida do litoral do Espírito Santo. Tinha um clima de cidade do interior. As pessoas eram simpáticas, a cidade não era poluída e havia um clima de paz pairado sobre ela. E por isso e por essa cidade ter praias lindas, eu, minha irmã e minha (gata) namorada a escolhemos para passar as férias.
- Estou cansada Felipe. – Lilian, minha irmã reclamou. Estava sendo assim desde que saímos de casa, São Paulo. Maria, minha linda namorada suspirou. Até ela que era super amiga de Lilian já estava cansada de todo aquele auê.
- Calma Lilian, o apartamento é logo ali. Já estamos chegando e ai enfim você poderá descansar.
- E parar de reclamar. – Maria completou silenciosamente e eu ri fraco. Maria era linda e preciosa. Com seu corpo escultural, era uma morena de olhos verdes. Seus cabelos lisos como de uma índia caiam delicadamente por suas costas. Ela era alta, tinha um sorriso que podia acabar com qualquer um. Mas, além de toda sua beleza, eu prezava nela sua confia, sua sabedoria e seu amor por tudo, principalmente por mim.
Quando finalmente chegamos à frente do pequeno prédio que havíamos alugado para uma semana de paz e felicidade, nos surpreendemos porque ele era realmente pequeno. Ele devia ter dois andares, com quatro apartamentos em cada bloco.
- Parabéns Felipe! – Lilian se dirigiu para mim. – Você realmente escolheu um ótimo apartamento para nós. Como você disse mesmo? Última linha de cidade pequena. Isso não é nem a linha. – Ela disse e seus cabelos loiros como os meus caíram sobre seu rosto. Minha irmã era linda também. Magra, alta. Podia ser modelo, mas toda essa beleza que tinha equivalia a toda sua arrogância.
- Lilian, você sabia desde o começo que não seria grande coisa. E bem, eu adorei o prédio. Realmente se encaixa perfeitamente com a idéia de cidade antiga do interior.
- É Lilian, relaxa. E a gente quase não vai ficar dentro do apartamento. – Maria disse já apertando o botão do interfone, tendo a entrada autorizada.
Não havia elevador, mas como eu disse, eram somente dois andares e quatro apartamentos por andar. Nosso apartamento era grande, com duas suítes, cozinha, sala e uma sacada de vista pro mar.
- É um apartamento lindo Felipe! Eu amei. – Maria disse vindo até mim e me beijando. Lilian fez som de nojo e bateu a porta de um quarto. Sorri. Como eu amava estar com a Maria.
- E então guia - turístico? O que faremos essa noite? – Maria disse segurando minha cintura.
- Acho que nós podemos ir a um restaurante e depois irmos para a praia. Com certeza vai ter algo lá.
- Então tá ótimo... – Disse ela antes de voltar a me beijar, me empurrando para o quarto.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Paraíso Ardente



Paraíso Ardente
1º Capítulo
Eu suava frio ao ver a letra caprichada no papel de pão, que me dava uma notícia horrível. Maria continuava estancada no pé da porta, cheia de areia da praia e os braços cobertos de sangue.
- Não quero saber o que diz ai Felipe. Eu não quero. – Maria disse ainda imóvel, com a voz chorosa. – Mas me diz. – Ela falou convicta.
Felipe e Maria,
Desculpem-me pelo modo irracional como agi nos últimos dias, e desculpem -me pelo que fiz, mas realmente tive que fazer isso. Sei o quão ruim e decepcionante fui para todos que me amam - se é que me amam -, mas espero que saibam que eu amo vocês. Obrigada por tentarem me ajudar. Não se preocupem: Ficarei bem.
Com amor,
Lilian Rafaelly.
As lágrimas não puderam mais ser seguradas nem nos meus olhos, nem nos de Maria. Ela andou de modo lento até mim e me abraçou forte demais para uma garota.
- O que é que está acontecendo Felipe? – Sua voz era abafada por meu ombro.
- Eu não sei Maria. Eu não sei.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Será que é permitido que eu pergunte o que Deus quer de mim? Porque só eu sei como dói. Em toda a minha vida, eu tive três pais. Um deles, o biológico, se mandou. O que era meu padrasto, me amou incondicionalmente e Deus o levou. O meu tio que se tornou meu pai viajou. O que Deus quer de mim?

domingo, 6 de maio de 2012

Não seria estranho dizer que a dor incomoda. Claro que não, afinal, até parece que essa é a sua própria função: incomodar. Mas bem, estranho é dizer que me acostumei com está incomoda companheira depois de ela tanto me perseguir. Não é sempre que consigo percebe-la, mas ela sempre está comigo. As vezes invisível, as vezes tão viva quanto eu mesma.
Alguns acontecimentos na minha vida são responsáveis por ela já ser considerada parte de mim. É difícil distinguir quando a dor é real ou uma lembrança. Dói do mesmo jeito. E é considerável pensar que já estar acostumada com essa dor é insano. Deve ser mesmo.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Decididamente, não saber o que fazer é algo que corre no sangue. Infelizmente, pois nesse momento de aflição eu realmente gostaria de saber o que fazer. Um manual de como decidir sobre todo os assuntos de modo que não me arrependa em seguida seria bem vindo, mas a aventura da chance de aprender sozinha é algo irresistível.

Pequena e estranha dor no coração

Pensamos a todo o momento, mas só em alguns instantes da nossa vida refletimos. E eu refleti. Refleti sobre todo esse consumismo e essa massificação "cultural", refleti sobre as amizades e enfim, sobre o amor. E doeu. Doeu refletir e finalmente enxergar que hoje estamos a viver uma mentira. Bom, digo, talvez não todos, mas porque não dizer que o consumismo, as amizades e o amor estão interligados por uma moda de somente usar uma singela e falsa aliança no dedo da mão direita? A sociedade te excluiu porque o dia dos namorados chegou, você não tem namorado, não tem presente e não tem amor. O mundo virou de cabeça para baixo e você não conseguiu perceber em que momento te jogaram para fora dele. E agora você reflete sobre tudo ao seu redor, e infelizmente dói. Será que é por isso que hoje nossos meios de comunicação nos impedem de pensar? Eles nos poupam da dor? Tenho certeza que não é isso. Reflita e aguente a dor, porque nesse nosso mundo, não é somente isso que nos espera. Uma pequena e estranha dor no coração.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Depois de uma noite.

Paritindo de um sonho, espirando fundo. Uma lágrima silenciosa, lábios ressecados. Pele arrepiada, sensível e macia. Cheirinho de frutas costumeiro, gostoso e enjoativo. Cabelo mal preso em um coque no fim da nuca, a marca de uma mordida no fim do pescoço. Lembrou - se do momento. Houve um beijo. O beijo foi como uma noite de verão. Gostoso, suave. Sorri singelamente, tremi ligeiramente. Beijei- o.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Inevitavelmente olho para trás e pergunto-me se não haveria chance de um final feliz, um destino para nós dois? Tento disfarçar com uma risada sarcástica, mas isso realmente me toca e eu penso como seria uma vida ao seu lado, ainda sentir o gosto de seu beijo. Seria feliz? É o que eu tento ver em minha mente ao elaborar conversas e momentos imaginários com um futuro que não aconteceu. Algo masoquista? Talvez. Mas pode ser que assim consiga descobrir o porque fui abandonar tudo isso. Ou tudo isso me abandonou?

Liberta;

Simplesmente solte os cabelos e deixe o vento os levar. Talvez não seja tão simples assim sentir-se liberta, e viva. Uma tarefa árdua, complicada, mas nada que a força de vontade não garanta. Poucas horas fizeram-me perceber que sim, eu não podia mas ser tão malvada com a vida, afinal ela me recebeu de bom grado a 13 anos, 11 meses e seilá quantos dias faltam para dia 27/4.
Perceber que existem situações piores não é certamente confortante, mas com certeza nos faz esquecer que estamos com um problema. E talvez sorrir não seja mais tão difícil assim.